sexta-feira, 20 de abril de 2012

àgua`deu-àgua`levou (Parte l )

Mas um domingo aparentemente comum na vida do rei do império dos àgua`deu,depois de vários séculos de intrigas,conspirações,ameaças de guerra e guerra fria,hoje,unido ao reino dos àgua`levou.
Com os dois reinos agora feito um só,sua majestade àgua`deu-àgua`levou tornou-se senhor de um pequeno e grande reino,pequeno pois possui poucas áreas possíveis de serem habitadas e cultivadas, e grande,pois possui um sistema de cobrança de impostos comum nos dois reinos,suspeita-se que a união se deu por conta deste sistema,apesar de ter sido criadas lendas,como por exemplo uma que diz que os reinos dos àgua`deu em um passado distante foi criado pelo reino dos àgua`levou,entre outras.Mas saberemos mais sobre o sistema de cobrança de impostos dos dois reinos,e se foi de fato isto que os uniu,até por que sem muito o que fazer.o rei costuma contar como aconteceu a união,mas não hoje,"o dia da visita do rei".
Sua majestade esta impaciente sobre a ponte do castelo,aguardando o momento de entrar na carruagem real para o único compromisso real.Todo último domingo do mês o rei visita os povoados unidos do seu reino,distribuindo sua simpatia real e um dobrão de bronze para as crianças do reino,que o aguardam ansiosamente..
-Onde esta a carruagem real?onde esta?o dia logo amanhecerá e preciso visitar meu povo!Grita a um de seus súditos,que trata de defender o cocheiro.
-Sua majestade,a visita começa a um quarto de areia em vossa ampulheta real e ainda estamos a um quinto de areia.
Não importa,acordem o cocheiro! não pretendo perder um minuto sequer deste dia glorioso.
É compreensivo que sua majestade esteja ansioso,sem quaisquer compromisso oficial,além do dia da união dos dois povos uma vez por ano e que não passa de um discurso na presença de poucos súditos insatisfeitos um grande número de cobradores de impostos além dos astrólogos do rei,a abastada aristocracia e seus ministros..
O último domingo de cada mês é um dia especial,instituído por ele depois de anos a fio de marasmo e tédio "o dia da visita do rei".Finalmente sua majestade poderia usar outros trajes reais,alem do usado no dia da união,já meio roto e empoeirado,mas devidamente restaurado.
-Vamos cocheiro,ande com a carruagem,precisamos percorrer mais de vinte povoados em apenas um dia.
A carruagem era mesmo digna de um rei,carregava um baú com vinhos das melhores safras dos reinos,o espaço interno para oito pessoas confortavelmente sentadas ou em pé,mas ficar em pé dentro da carruagem real era uma mordomia que só se permitia ao grande rei dos àgua`deu-àgua`levou,ninguém ousara descumprir tal rito sob pena de ser privado da companhia do rei e muito provavelmente da propia liberdade.A frente,oito cavalos arreados,crinas longas bem aparadas,selas revestidas com finas camadas de ouro e prata,cavalgando a luz do dia refletia riqueza,a noite,sob a luz da lua,era reconhecida a grandes distâncias.
Ao lado do rei na carruagem os súditos de sempre,com exceção da nobre e bela rainha dos àgua`deu-àgua`levou,de aparência entediada pois não compartilhava do mesmo entusiasmo do rei,via aquelas idas aos povoados um gesto repetitivo e inútil,além da poeira da estrada que ao final do dia deixava em todos uma camada de pó,que ela odiava,os outros eram o bobo da corte,o nobre ex ministro do extinto ministério da segurança,extinto por que só quem tinha segurança era o rei,o nobre ex ministro do extinto ministério dos castelos,extinto por que só quem tinha castelo era o rei,o nobre ex ministro do extinto ministério das estradas,extinto por que as estradas eram péssimas,o nobre ex ministro do extinto ministério da paz,extinto por que a paz reinava,pelo menos entre a abastada aristocracia,e o nobre ex ministro do extinto ministério das carruagens,extinto por que só quem tinha carruagem era o rei,e os sábios do reino aconselharam o rei que ter um ministério só para a carruagem dele,poderia causar um certo desconforto entre seus súditos.
Correndo por fora da carruagem,e a pé,um recém chegado vassalo,que ganhou fama no reino por ser um súdito muito submisso,além da cavalaria da segurança real.
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